Posts tagged street art

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Quem tem o muro, doa. Quem domina a arte, pinta. Assim, o cinza da cidade cede às cores e convida aos passantes a sonhar. O espaço urbano ganha novo significado, a conexão com a cidade se faz. Esse é o objetivo do projeto Color+City, que pretende levar às ruas de São Paulo a street art de quem se dispuser a ocupar os lugares cedidos por moradores e comerciantes locais.


Funciona assim: o dono do muro autoriza a pintura do muro, fachada ou espaço livre, posta fotos do local onde está liberando, e espera; o artista escolhe, em um mapa, o lugar onde quer deixar sua marca e garante a reserva do espaço por 15 dias. Aí é só dar asas à imaginação e curtir as reações do público.


No vídeo, mais informações sobre o projeto:

Quem anda por Curitiba e costuma prestar atenção nas intervenções artísticas na paisagem da cidade já deve ter visto um dos trabalhos de Pierre Lapalu.


Esse jovem artista (ele nasceu em 1985!), segundo a biografia no seu site, ainda não morreu. E já com essa promessa de muitos trabalhos pela frente que Pierre, que é formado em gravura pela Escola de Belas Artes do Paraná – Embap, em 2010, ganhou destaque em Curitiba pela mostra Etnógrafo Naïf (imagem abaixo).

A mostra era de Joaquim Nunes da Silva, supostamente um talentoso desenhista e observador curitibano que, sem a mesma sorte de Lapalu, morreu ainda jovem, aos 22 anos de idade. Joca, como era conhecido, desenhava os rostos de moradores de bairros curitibanos, pedestres do Centro, passageiros nos terminais de ônibus, em uma tentativa ambiciosa de catalogar e classificar os habitantes de sua cidade. Falamos desse trabalho aqui e aqui.
Naturalmente, Joca não existia e Pierre não era apenas o curador da exposição e, sim, o próprio autor dos desenhos do projeto, que foi um dos contemplados com recursos do Programa Bolsa Produção 2009, da Fundação Cultural de Curitiba e também foi exposto no Instituto Cultural Cervantes de São Paulo. Entre inúmeras exposições, Lapalu também fez parte da coletiva do Projeto Muro que, em pelo menos três edições, em espaços como a Casa Andrade Muricy e o Espaço Cultural BRDE, propôs apresentar cartazes lambe-lambe, desenvolvidos em diversas técnicas como serigrafia, linóleo-gravura, monotipia, fotografia, desenho… colocando em espaços esterilizados, toda a caótica produção de arte urbana.
Por e-mail, conversamos sobre seus trabalhos…
Revista Inventa - É preciso perguntar, e Joca vai voltar do mundo dos mortos? Nenhuma coletânea pós-morte?
Pierre Lapalu - Pois é, acho que dos mortos ele não volta. Mas não descarto a possibilidade de novos trabalhos serem descobertos.
RI - Na sua biografia, logo na página inicial do site, nos deparamos com um Pierre Lapalu que ainda não morreu. É uma referência a esse trabalho?
PL - Não tinha pensado nessa relação. Só tentei brincar com a ideia de biografia de quem ainda está vivo e supostamente tem toda uma vida para percorrer.
RI - Dos lambes que ‘interviam’ na paisagem curitibana até os trabalhos de Joca e outros que podemos ver em seu site… Eles parecem se relacionar com Curitiba. A cidade é inspiração para o seu trabalho de que forma?
PL - Eu gosto da cidade. Querendo ou não, é um ambiente que contém inúmeras variáveis que te definem. Então sim, sou influenciado pela cidade, como qualquer um que nela habita. Mas também tento evitar o tema do paisagismo urbano, que não difere muito de uma pintura rural. Falar sobre a cidade não é apenas trocar o cenário, creio.
RI - Li algo de você comentando sobre o Etnógrafo Naïf sobre um ‘intuito” de que “o desenho não se encerre em si”. Particularmente, acho que tem um pouco disso em todos seus trabalhos. Você procura chamar as pessoas?
PL - Nessa afirmação eu tentava resumir o princípio que levou ao projeto do Etnógrafo Naïf, que era o valor atribuído ao objeto desenho. Se você pode mudar o valor simbólico de cada objeto, pode mudar o valor simbólico desde um desenho até um espaço expositivo. No Projeto Muro, dos lambes, tinha um pouco disso, mas ainda era inconsciente. A história toda do Etnógrafo Naïf foi uma tentativa de assumir algum controle sobre essas consequências simbólicas dos objetos e do espaço expositivo, e ainda brincar com isso.
RI - Curiosidade: ainda conseguimos ver os lambes por aí?
PL - Sim, ainda existem, mas são raros. Estou tentando retomar várias coisas, os lambes inclusive.
RI - Alguma exposição programada?
PL - Não, não tenho nada programado. Tenho alguns projetos na manga, que quero executar, mas sem apoio está difícil em todos os aspectos. E antes de procurar apoio talvez tenha que resolver algumas coisas. Mas posso adiantar que tem algo do Etnógrafo Naïf. Mas creio que só seja viável lá por 2014. Meu processo é bem lento.
Mal podemos esperar! Enquanto isso, veja os desenhos, fotos, gravuras de Pierre aqui.

Os nomes Otávio e Gustavo Pandolfo não são tão recorrentes e associáveis, mas talvez você conheça Os Gêmeos. Sim, são eles! Os traços de graffiti dos irmãos Pandolfo são reconhecidos há metros de distância, e não passam despercebidos pelas ruas.



A dupla de artistas brasileiros, conhecida mundo a fora, está com uma exposição no Boston Institute of Contemporary Art até 25 de novembro. No ICA são apresentadas pinturas, esculturas, instalações em salas e um mural (abaixo) externo no Instituto.


“Entre o público e a obra de arte, quem tem razão é sempre a obra de arte”. A frase do centenário Nelson Rodrigues serve perfeitamente para esclarecer a confusão que se desenrolou em Atlanta, nos EUA, há poucos dias. De 15 a 19 de agosto, a cidade recebeu o Living Walls, evento de street art que convida diversos artistas a ocuparem as ruas e muros da cidade com seus trabalhos. Essa edição, em especial, contava com um elenco composto apenas por mulheres. Uma delas era a argentina Hyuro.

No bairro de Chosewood, ela pintou uma sequência de imagens que, aos olhos de quem caminhasse por ali, se tornava animação. O primeiro desenho mostrava uma mulher nua e, a cada nova figura, pelos cresciam em seu corpo, até virarem uma espécie de vestido. Ao final, o vestido cai e se transforma em um lobo que sai correndo. O trabalho foi baseado nessa animação realizada por Hyuro em 2011:
Várias interpretações sobre o trabalho são possíveis. A força contida em cada mulher. Os instintos que fazem parte de todos nós. Ou até mesmo a explicação dada pela própria artista: o abandono de nosso lado irracional para alcançarmos estágios superiores de pensamento. Qualquer que fosse o intérprete, a qualidade e beleza do trabalho eram inegáveis. Mas não foi o que pensaram os moradores de Chosewood, região cercada por uma igreja, uma mesquita, uma prisão federal e pontos de prostituição.

Ofensivo demais, alegaram. Imagine só o que aquelas imagens poderiam causar à mente das crianças que por ali passassem! Nudez, libertação feminina e instintos animais não eram assuntos dos quais eles gostariam de tratar. Ao final do dia, solicitaram: que o painel fosse apagado.

Depois de muitas discussões sobre censurar ou não, inclusive em rede aberta de televisão, a arte venceu temporariamente a batalha contra o moralismo. A mulher-loba ainda está estampada no muro. Sob ameaças, provoca cada passante a refletir se o problema é sua feminilidade explicitada ou a mentalidade de quem a vê.

Gosta de graffiti, design, arte, e de sair pintando por aí? Então esse concurso é pra você! O Governo do Estado de São Paulo vai inaugurar uma nova linha de metrô na capital paulista e, para estampar os vagões, decidiu oferecer a chance de artistas divulgarem seu trabalho.
É só criar uma arte para estampar o novo vagão até dia 3 de setembro, tempo em que as inscrições ficam disponíveis no site Tá Pintando Um Novo Metrô. Cada artista pode enviar no máximo 5 desenhos. Depois disso, 20 trabalhos serão selecionados pela comissão julgadora e, entre os dias 11 e 27 de setembro, a votação será aberta ao público.
Veja o que alguns concorrentes já enviaram:





Tem mais aqui!

Foi por culpa dos celulares que eles perderam prestígio e se tornaram obsoletos. Nas ruas, hoje cumprem um papel quase museológico que nos remete ao tempo em que, munidos de ficha ou cartões, fazíamos chamadas debaixo de suas coberturas. Talvez um ou outro passante ainda os utilize para se abrigar de um temporal ou divulgar serviços ilegalmente, mas o fato é que os telefones públicos são fixos demais para a mobilidade contemporânea. E o que, então, fazer com eles? A resposta vem rápida: arte.




Essa é a ideia da Call Parade. Substituta da Cow Parade, aquela que inseria vacas estilizadas em pontos da cidade, a ação agora reutiliza e dá vida nova a 100 orelhões espalhados por São Paulo. Seus criadores vêm das mais diversas áreas criativas e cada um deles oferece um pouquinho de cor e personalidade ao que andava esquecido. Um bom remédio contra o vandalismo e um presente para os olhos tão acostumados ao cinza da metrópole.

Para ver todas as obras e saber onde encontrá-las, acesse o site oficial do evento.

O fotógrafo francês JR, vencedor do TED 2011 pelo projeto Inside Out, e o artista norte-americano José Parlá, famoso por suas pinturas tipográficas, uniram forças e produziram uma linda exposição pelas ruas de Havana, Cuba.



Wrinkles Of The City insere retratos de moradores locais, pessoas comuns e de vida simples nos muros e edifícios das cidades onde vivem. A primeira edição do projeto ocorreu em Shangai e a segunda em Los Angeles. Na capital cubana, integram a 11ª Bienal do país.




Com o slogan Just Add Color, a Converse lançou uma campanha que uniu criatividade e street art para colorir as ruas da Alemanha, Áustria e Suíça.


Várias imagens do histórico modelo Chuck Taylor (aquele da estrelinha) foram produzidas e espalhadas pelas cidades. São cartazes, banners e stencils criados por artistas e coletivos como Sonice Development, Quintessenz Creation, 44flavours e Diskorobot. Coisa fina.






O making of dos trabalhos você pode conferir no vídeo abaixo:

Vivendo em um contexto urbano, deixamos de perceber alguns detalhes que determinam como nos apropriamos do lugar que habitamos. Mas, se nos dispomos, por exemplo, a caminhar atentamente por uma cidade, podemos perceber que não só as pessoas, mas as ruas, edifícios e muros também tem algo a dizer. As metrópoles são polifônicas.
Daniel Bernardinelli partiu em busca dessas vozes. Com uma câmera de celular em mãos e olhar atento, o artista registrou nas ruas de São Paulo as mais diversas formas de intervenção urbana.
“Fontes Urbanas” é a exposição que reúne o resultado final da caminhada de Bernadinelli e transforma o papel efêmero do espaço urbano em história. Nas imagens, tipografias e linguagens variadas que falam sobre um mesmo lugar.
Exposição Fontes Urbanas
Quando: de 10 de dezembro de 2011 a 10 de janeiro de 2012
Horário: segunda a sábado das 10h às 19h
Onde: Vértices Casa - Rua Fidalga, 66 - Vila Madalena - São Paulo