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Quem anda por Curitiba e costuma prestar atenção nas intervenções artísticas na paisagem da cidade já deve ter visto um dos trabalhos de Pierre Lapalu.


Esse jovem artista (ele nasceu em 1985!), segundo a biografia no seu site, ainda não morreu. E já com essa promessa de muitos trabalhos pela frente que Pierre, que é formado em gravura pela Escola de Belas Artes do Paraná – Embap, em 2010, ganhou destaque em Curitiba pela mostra Etnógrafo Naïf (imagem abaixo).

A mostra era de Joaquim Nunes da Silva, supostamente um talentoso desenhista e observador curitibano que, sem a mesma sorte de Lapalu, morreu ainda jovem, aos 22 anos de idade. Joca, como era conhecido, desenhava os rostos de moradores de bairros curitibanos, pedestres do Centro, passageiros nos terminais de ônibus, em uma tentativa ambiciosa de catalogar e classificar os habitantes de sua cidade. Falamos desse trabalho aqui e aqui.
Naturalmente, Joca não existia e Pierre não era apenas o curador da exposição e, sim, o próprio autor dos desenhos do projeto, que foi um dos contemplados com recursos do Programa Bolsa Produção 2009, da Fundação Cultural de Curitiba e também foi exposto no Instituto Cultural Cervantes de São Paulo. Entre inúmeras exposições, Lapalu também fez parte da coletiva do Projeto Muro que, em pelo menos três edições, em espaços como a Casa Andrade Muricy e o Espaço Cultural BRDE, propôs apresentar cartazes lambe-lambe, desenvolvidos em diversas técnicas como serigrafia, linóleo-gravura, monotipia, fotografia, desenho… colocando em espaços esterilizados, toda a caótica produção de arte urbana.
Por e-mail, conversamos sobre seus trabalhos…
Revista Inventa - É preciso perguntar, e Joca vai voltar do mundo dos mortos? Nenhuma coletânea pós-morte?
Pierre Lapalu - Pois é, acho que dos mortos ele não volta. Mas não descarto a possibilidade de novos trabalhos serem descobertos.
RI - Na sua biografia, logo na página inicial do site, nos deparamos com um Pierre Lapalu que ainda não morreu. É uma referência a esse trabalho?
PL - Não tinha pensado nessa relação. Só tentei brincar com a ideia de biografia de quem ainda está vivo e supostamente tem toda uma vida para percorrer.
RI - Dos lambes que ‘interviam’ na paisagem curitibana até os trabalhos de Joca e outros que podemos ver em seu site… Eles parecem se relacionar com Curitiba. A cidade é inspiração para o seu trabalho de que forma?
PL - Eu gosto da cidade. Querendo ou não, é um ambiente que contém inúmeras variáveis que te definem. Então sim, sou influenciado pela cidade, como qualquer um que nela habita. Mas também tento evitar o tema do paisagismo urbano, que não difere muito de uma pintura rural. Falar sobre a cidade não é apenas trocar o cenário, creio.
RI - Li algo de você comentando sobre o Etnógrafo Naïf sobre um ‘intuito” de que “o desenho não se encerre em si”. Particularmente, acho que tem um pouco disso em todos seus trabalhos. Você procura chamar as pessoas?
PL - Nessa afirmação eu tentava resumir o princípio que levou ao projeto do Etnógrafo Naïf, que era o valor atribuído ao objeto desenho. Se você pode mudar o valor simbólico de cada objeto, pode mudar o valor simbólico desde um desenho até um espaço expositivo. No Projeto Muro, dos lambes, tinha um pouco disso, mas ainda era inconsciente. A história toda do Etnógrafo Naïf foi uma tentativa de assumir algum controle sobre essas consequências simbólicas dos objetos e do espaço expositivo, e ainda brincar com isso.
RI - Curiosidade: ainda conseguimos ver os lambes por aí?
PL - Sim, ainda existem, mas são raros. Estou tentando retomar várias coisas, os lambes inclusive.
RI - Alguma exposição programada?
PL - Não, não tenho nada programado. Tenho alguns projetos na manga, que quero executar, mas sem apoio está difícil em todos os aspectos. E antes de procurar apoio talvez tenha que resolver algumas coisas. Mas posso adiantar que tem algo do Etnógrafo Naïf. Mas creio que só seja viável lá por 2014. Meu processo é bem lento.
Mal podemos esperar! Enquanto isso, veja os desenhos, fotos, gravuras de Pierre aqui.
por Kariny Martins

O artista plástico Tiago Tebet, 25 anos, é paulista e pratica o downhill, modalidade em que o skatista se aventura descendo ladeiras em alta velocidade. O esporte nasceu na Califórnia durante a década de 1970, quando os surfistas queriam fazer das pranchas um divertimento também para as ruas. O país também inspirou a última exposição individual de Tebet: Califórnia, que está em cartaz na SIM Galeria.
Essas influências do universo do surf e do skate são claramente encontradas nas obras do jovem artista. Ele valoriza o movimento e, principalmente, a velocidade para compor suas telas, que têm traços geométricos precisos, mas que ele define como uma “geometria descontraída”. Tebet já fez parte da Paralela 2010, uma das mostras de arte contemporânea mais importantes do país, que complementa a Bienal de São Paulo, além de ter participado da 40ª Anual de Artes Plásticas da FAAP, ocasião em que recebeu o prêmio principal do evento.
Nós visitamos a SIM Galeria, antes da abertura da exposição, e conversamos com o artista. Confira!
INVENTA - Quando você decidiu que iria trabalhar com arte e com a pintura em particular? Como foi o início?
TIAGO TEBET - Eu decidi pelas artes plásticas depois de ter tentado algumas outras opções, é raro conhecer alguém que escolha a arte como primeira opção, que vá com certeza no assunto. Ao fim do curso, eu já estava bem feliz com as coisas que estavam acontecendo, com as ideias e os assuntos pelos quais eu me interessava. Ganhei incentivos da própria faculdade que foram bem importantes, é legal ter um reconhecimento daquele esforço mesmo que seja um esforço de aluno, e eu também já tinha conseguido uma exposição fora dali, em uma galeria.
IVT - As suas obras são ricas em detalhes, principalmente nos formatos geométricos. O que você procura expressar?
TT - A arte é simplesmente o que você aprende, absorve e devolve de uma nova maneira para o mundo. Logo, o que eu expresso, o que aparece nas obras está sempre relacionado a alguma experiência que eu vivi e resignifiquei depois de passá-las pelo meu filtro. Quanto aos formatos, prefiro definir como uma geometria descontraída, junto com o rigor dos traços procuro brincar com as cores, por exemplo.

IVT - Por que a pintura?
TT - Prefiro trabalhar com pintura, fui assistente de alguns pintores e talvez isso tenha me influenciado um pouco. Mas acho que o principal motivo é o fato da pintura ter esse longo período de presença na história. Acaba sendo bem desafiador você querer dar continuidade a algo que já teve sua morte decretada tantas vezes. Acho que dificultar um pouco as coisas é um bom estímulo para continuar fazendo aquilo. As pessoas dizem, por exemplo, ‘é difícil fazer um quadro amarelo’, a primeira coisa que eu penso é: então vamos fazer um quadro amarelo!
IVT - Como você explicaria o seu processo criativo, entre um trabalho e outro, por exemplo?
TT - Um novo trabalho sempre surge exatamente de um anterior. Certa imagem só é determinada, ou um estudo específico só é feito para compensar uma área que me distanciei muito em algum momento. Isso por que sempre há algo para melhorar ou pra fazer diferente.

IVT - Sobre sua exposição atual: por que o título Califórnia?
TT - Eu cresci em meio a essa cultura do skate do surf, a efervescência pela qual a Califórnia se tornou conhecida e que não é exclusivamente americana, você consegue perceber e sentir isso em muitos outros lugares. Eu associei a imagem da Califórnia a um sentimento de esperança, de prosperidade, de algo que é vivo, mas ao mesmo tempo denso, urbano. E a imagem da Califórnia na exposição é bem idealizada, pode ser comparada a forma como os gringos veem o Rio de Janeiro.

fotos Geísa Borrelli/Divulgação

No processo de concepção e fabricação de objetos, o fetiche. Criá-los para serem desejados, mas mais do que isso, acrescentá-los de significados que ultrapassem seus valores estéticos ou meramente funcionais. Tal conceito é o que inspira o casal Paulo Biacchi e Carolina Armellini, proprietários e idealizadores da Fetiche Design, empresa curitibana de mobiliário, decoração e consultoria de tendências.
Antes uma loja na Rua Vicente Machado, a Fetiche está instalada hoje em uma simpática casa de estilo português, de propriedade de um lusitano e localizada, coincidentemente, na Rua Portugal. Nela, Carolina e Paulo montaram um escritório, oficina e, finalmente, encontraram a liberdade e o isolamento necessário para criar. Em um dia de sol em Curitiba, sentados a uma mesa da coleção Vergalho e em bancos da coleção Pai João, produtos da Fetiche, foi que batemos um papo com o casal:
INVENTA - Como nasceu a Fetiche Design?
CAROLINA ARMELLINI - No conhecemos em 1999, no curso de Desenho Industrial da Universidade Federal do Paraná. Não éramos da mesma turma, mas tínhamos amigos em comum. Nos formamos e, depois de alguns anos, nos reencontramos. Casamos em 2006 e, em 2008, com a ideia de investir em algo mais autoral, criamos a Fetiche.
PAULO BIACCHI - Trabalhávamos em escritório, uma coisa bem comercial. Algumas ideias em que acreditávamos, não iam para frente. Então pensamos: ‘e se a gente peitasse nossas ideias’? Foi ai que veio a ideia de produzir as peças, pagar e vender. Começamos com nosso mobiliário para mostrar nosso desenho, nosso potencial. Na verdade não sabíamos direito o que queríamos. Produzíamos coisas novas, que às vezes davam certo, às vezes davam errado. Foi somente com o tempo, depois de muita experimentação, que chegamos à identidade que temos hoje.
A primeira experiência com o mercado foi uma loja que abrimos na Rua Vicente Machado. O objetivo era montar um escritório e embaixo expor nosso trabalho. Promovíamos muitos vernissages. As pessoas entravam e diziam ‘nossa vocês são vanguarda, são lindos’, só que não compravam nada. Em dois anos, vendemos apenas duas peças.
CAROLINA ARMELLINI - Pode parecer dinheiro jogado fora, mas na verdade foi um investimento. Fomos à rua, demos a cara à tapa e a coisa funcionou muito bem. Em uma daquelas confraternizações, o pessoal da Micasa nos descobriu. Apareceu um cara por lá e perguntou: ‘vocês já vendem essa cadeira em algum lugar? Não? Querem vender lá?’ E claro, topamos.


IVT – E por que fetiche?
CA - Lendo para o mestrado, descobri um artigo do designer Rafael Cardoso, “Design, cultura material e o fetichismo dos objetos”. Resumindo, nesse artigo ele defende que os designers deveriam usar mais esse lado fetichista dos objetos, ou seja, acrescentar valores aos produtos além do funcional e do estético. Eu adorei o que o cara estava defendendo e tinha muito a ver com o trabalho que fazemos. Todos os nossos produtos têm uma base forte de conceito. No final, nem sempre o produto tem esse conceito claro, mas ele tem essa base forte. Então o fetiche é isso, é essa definição do ter conceito. E o nosso trabalho tem muito a ver com isso.
PB – A coleção Pai João, baseada na cultura popular que envolve essa entidade, é um exemplo. São bancos artesanais, de trama de tabôa, mas demos uma nova roupagem à trama usando material plástico, industrial. Há quase um conflito, é como se fosse o preto velho vestido de Armani, como a gente costuma brincar. Demos outro status para as peças, um acabamento melhor, remetendo ainda a essa coisa lowtec, só que tem uma aparência hightec.
IVT - Qual a importância da parceria com a Micasa?
CA - Quando começamos, éramos exclusivos da Micasa. A linguagem dos produtos deles é a nossa linguagem. Eles foram nossa porta de entrada para o mercado nacional. Depois, outras marcas acabaram convidando a gente. Às vezes não só pra desenhar, mas também pra fazer curadoria de coleção, consultoria de tendência. Então nosso leque acabou abrindo bastante, só que sempre nessa linha design-tendência-mobiliário e com o diferencial Fetiche.


IVT - Em uma entrevista, vocês mencionaram que, enquanto o Paulo se dedicava ao desenvolvimento de produtos, a Carolina era mais focada em pesquisas científicas voltadas ao design. Isso, de alguma forma, ainda se reflete no processo criativo de vocês? Há uma divisão de tarefas?
CA – Acho que sim. O Paulo acaba sendo o diretor de criação. O desenho, o rascunho das formas começa com ele. Eu já sou mais voltada à pesquisa, estou sempre buscando tendências e acabo cuidando de detalhes como ‘ah, então vamos colocar essa fivelinha diferente’. A conceituação, no entanto, fazemos juntos, conversando.
PB - É algo dinâmico, complementar.
IVT - Como Curitiba influencia o trabalho de vocês? Por que manter o escritório aqui?
CA - Curitiba é agradável. Apesar de nosso mercado de venda estar principalmente em São Paulo, lá seríamos apenas mais uma marca entre tantas. O fato de sermos curitibanos é interessante para eles, são outras referências. Se você é de fora do eixo, é difícil entrar, mas se você entra, é legal, porque se torna um diferencial.
IVT - Vocês devem ter clientes de Curitiba que compram lá, né?
CA - Ah sim, com certeza. A loja na Vicente Machado, pouca gente ia conhecer. Aí você começa a sair nas revistas de São Paulo, as pessoas olham e falam ‘aaah, são daqui’.
PB – É uma característica de Curitiba e acho que do Brasil também. Precisamos aparecer em blog de fora para sermos notados aqui.

IVT – E no mercado internacional, qual a grande dificuldade para o design brasileiro?
PB - O Brasil é competitivamente inferior em relação à tecnologia de produção estrangeira. Hoje eles enxergam o mercado brasileiro como o design dos irmãos Campana, um design mais artesanal e menos técnico. Tem essa disparidade de fazermos um bom trabalho e eles falarem ‘será que eles vão conseguir’? Conceitualmente, podemos ver tudo na internet, navegar, pesquisar, mas na hora de produzir ainda não desenvolvemos uma tecnologia à altura.
IVT – Quais os projetos futuros da Fetiche?
PB - Ainda para este ano, estamos preparando nova coleção própria, além de estarmos desenvolvendo produtos para outras para marcas como Schuster, Tok&Stok, Holaria, La Lampe, e uma exclusiva para o Clube de Colecionadores de Design do MAM-SP.
CA - São projetos totalmente diferentes, uns comerciais, outros mais artísticos, mas sempre com o conceitual bem desenvolvido. Na prática, é muito gostoso trabalhar dessa forma. Conseguimos ter uma variedade e, deste modo, nos obrigamos a pesquisar esses dois universos. Um alimenta o outro: o conceitual adaptado ao industrial, e a agilidade industrial usada a favor do conceitual.


Allan Sieber transita pelo território do politicamente incorreto sem hesitar. Sabe muito bem onde pisa e, ao que parece, diverte-se bastante ao trilhá-lo. “Não existe cartunista comportado. Tem sempre que meter o malho em alguma coisa”, afirmou certa vez. E em seus trabalhos, leva a máxima muito a sério.
Notavelmente despreocupado em agradar, não poupa acidez ao criticar a moral, os bons costumes e toda forma de comportamento que lhe pareça risível. Entre suas criações, a premiada animação Deus É Pai, na qual Jesus é um adolescente rebelde em constante conflito com seu pai, o Todo Poderoso; as séries Vida de Estagiário, Bifaland, A Cidade Maldita e Preto no Branco; os livros É Tudo Mais ou Menos Verdade e Ninguém me Convidou, este em parceria com seu pai, Jouralbo Sieber; e roteiros para programas de TV, como o Casseta & Planeta.
Nos dias 27, 28 e 29 de junho, Sieber ministra a oficina Roteiro para Quadrinhos na Biblioteca Pública do Paraná. E no dia 28, às 19h, participa também de um bate papo e sessão de autógrafos na Itiban Comic Shop. Por e-mail, conversamos com ele sobre a visita, suas opiniões sobre humor, redes sociais e, obviamente, quadrinhos. Boa leitura:
INVENTA - Pode-se dizer que no teu trabalho a tosquice é uma técnica?
ALLAN SIEBER - De fato, a tosquice muito crua é muito tosca para o público, pouco palatável. Precisa de um filtro, mas esse filtro tem que ter um senso de escrotidão razoavelmente apurado. Entende? Nem eu, mas faz anos que tenho ganhado a vida com isso.
IVT - Além do mau humor, o que te inspira?
AS - Quem disse que tenho mau humor? Para fazer humor no meio das mulas com quem somos obrigados a aturar no dia-a-dia tem que se ter um puta humor. A vontade era de comprar uma arma ou pelo menos um chicote bem grande.
IVT - De menino adventista que lia a bíblia de trás pra frente a autor de Deus É Pai. Dá pra dizer que entre a religião e os quadrinhos, você optou pelo segundo?
AS - Eu acho que no final das contas foi legal ter lido a Bíblia de cabo a rabo várias vezes. O Antigo Testamento é uma grande obra. O Deus Punitivo é um personagem e tanto. Jó, Davi, Moisés, Noé: o pessoal fazia merdas inacreditáveis.

IVT - Fala-se muito hoje em amadurecimento do mercado brasileiro de quadrinhos e isso inclui o público. Mas muita coisa que você produziu, como Deus É Pai mesmo, sofreu censura pela patrulha do politicamente correto. Isso prejudica de alguma forma o teu trabalho?
AS - Nem um pouco. Na verdade todas as vezes que sofri algum tipo de pressão nesse sentido, reverteu a meu favor. Inclusive encorajo os cristãos a protestarem, eles estão no seu direito, desde que não comecem a atirar pedras na minha mansão, é claro.
IVT - O que torna um texto, um quadrinho ou um programa de TV engraçado?
AS - O inesperado. A saída menos óbvia ou a TÃO óbvia que faz o leitor/espectador pensar: “Filho da puta! Por essa eu não esperava!”. E que fiquem rindo por dias depois lembrando da piada.
IVT - Você sempre disse detestar as redes sociais e os celulares. Agora tem uma conta no Twitter e, pelo que andei lendo, um celular também. A tua opinião sobre essas ferramentas continua a mesma?
AS - O celular é uma merda mesmo. Isso de ser achado em qualquer lugar é o fim da literatura e da narrativa. Pense bem, nenhuma história boa pode ser contada a partir desse paradigma de as pessoas serem encontradas a qualquer hora. De rede social só estou no Twitter, que entrei para ganhar dinheiro, haha. Lá tem umas coisas engraçadas, o cara que se dizia o Bill Murray era genial, por exemplo. Já do facefuck não sei nada, sei que criaram umas páginas para mim, sei lá, qualquer lixo desse tipo.

IVT - Nos dias 27, 28 e 29 de junho você ministra uma oficina de quadrinhos na Biblioteca Pública do Paraná. Você já conhece Curitiba, tem contato com o pessoal daqui?
AS - Talvez em 2005 ou 2007 eu tenha ido para Curitiba, mas não lembro. Não lembro de quase nada desses dois anos específicos.
IVT - Quais foram os critérios que você usou na seleção dos participantes da oficina?
AS - Cabelo penteado e roupas sóbrias. Nem cheguei a olhar os desenhos dos garotos e garotas. Quem usava boné foi descartado sumariamente.
IVT - Existe algum plano de aula, tópicos específicos que você pretende abordar? Alguma expectativa?
AS - Montei uma espécie de apostila com quadrinhos autobiográficos de diversos autores - inclusive meus – e alguns textos e referências. A ênfase é o roteiro de quadrinho autobiográfico e vamos conversar sobre isso. Na verdade não será nada formal, será muita conversa e escrever roteiros e depois jogá-los fora. Ou vice-versa.
IVT - Quadrinhos, ilustrações, roteiros para TV, animações, reportagens e agora uma oficina. Existe algo que você ainda não fez, mas gostaria?
AS - Um ménage à trois com gêmeas japonesas lésbicas e incestuosas. Parece que o Paraná tem uma forte presença nipônica, não? A conferir.

Bate papo e sessão de autógrafos com Allan Sieber
Quando: 28 de junho de 2012, às 19h
Onde: Itiban Comic Shop - Rua Silva Jardim, 845, ao lado da UTFPR - Curitiba/PR
Entrada gratuita

Conhecemos a fotógrafa Pétala Lopes no Facebook, e nos encantamos com a delicadeza de seu trabalho. A carreira profissional de Pétala começa na ImageMagica, organização sem fins lucrativos que, por meio da fotografia, busca a transformação social. Como assistente do fotojornalista João Wainer, aprendeu a importância de desenvolver uma linguagem própria. Hoje, mais madura, busca na intimidade, na sexualidade e no universo feminino a inspiração para seus trabalhos. Para saber um pouco mais sobre o processo criativo da moça, conversamos com ela por e-mail.
INVENTA - Pétala é teu nome mesmo? Tem alguma história por trás dele?
PÉTALA LOPES - Pétala foi um apelido carinhoso que uns amigos me deram depois de uma viagem, por causa de um desses caras que vendem artesanato na rua, sabe? O cara era um sábio e ficamos amigos. De tanto falar dele para meus amigos, eles acabaram indo conhecê-lo, e bem nesse dia ele me comparou com uma pétala de flor. Daí, na sacanagem, meus amigos passaram a me chamar assim. E eu abracei a ideia.
IVT - Por que a fotografia?
PL - Fotografia pra mim é como uma voz a mais. Descobri essa paixão na época de colégio e não consegui mais largar. O mais legal é que tudo foi me levando a fotografar, foi fluindo… Vi que muitas vezes me expressava melhor com fotos do que falando. Gosto também da beleza e acho incrível as lembranças que carregamos. Nada melhor do que a fotografia para nos ajudar a não esquecê-las.

IVT - Tuas fotografias têm uma atmosfera bastante íntima. O que inspira o direcionamento do teu olhar?
PL - O amor me inspira, a vida me inspira. Tenho bastante dificuldade em ser superficial. Deve ser por isso que minhas fotos são quase um mergulho dentro das coisas e das pessoas. Sinto necessidade de conhecer o que fotografo e memorizar pequenas relações e grandes sentimentos, ou vice versa.
IVT - Você se profissionalizou pela ImageMagica, uma escola que acredita no poder transformador da fotografia. O teu trabalho, de algum modo, cumpre esse papel?
PL - Também acredito no poder transformador da fotografia e acho essencial existir organizações como a ImageMagica para transmitirem essa ideia. Sou fã do trabalho deles. Porém, meu trabalho vem tão de dentro de mim, que seria equivocado dizer que espero algum resultado ou que tenho como prioridade mudar alguma realidade. Eu sinto e crio, e o que nasce depois disso é consequência. O mais bacana é se surpreender com as respostas dos outros, ver que minha arte faz alguém sentir algo. Fico muito feliz quando isso chega até mim.
IVT - E na parceria que você desenvolveu com o João Wainer enquanto assistente dele, qual foi o aprendizado mais importante?
PL - Pô, o João foi essencial. Na época foi meu primeiro contato com o mercado de foto, foi quando eu descobri como funcionava essa profissão. Mas cá entre nós, naquela época eu estava perdidinha, e foi quando comecei a reparar o quanto é importante um fotógrafo descobrir a sua própria linguagem. Até hoje ele é presente e é uma pessoa que posso contar.

IVT - Você participa também de dois coletivos, Mona e Grafo. Quais as contribuições desse processo de produção colaborativo para a tua identidade como fotógrafa?
PL - A troca, principalmente. Em ambos os coletivos posso compartilhar ideias e criar junto de pessoas que possuem um trabalho que acredito, que me inspiro. O Mona tem o lance de todo mundo fotografar um mesmo tema, trazer a criatividade à tona, se movimentar. E tem aquilo de sermos todas mulheres e querermos levantar a bandeira das meninas na fotografia. Coisa que acredito muito. Porque a fotografia é sim um mercado bem masculino.
Já o Grafo, é a visão da arte na moda. Onde consigo focar mais o lado comercial sem ser superficial, pois não abandono minha linguagem. Posso trabalhar moda com o coração.
IVT - O que define um bom fotógrafo?
PL - Um bom fotógrafo é aquele que se deixa sentir antes de qualquer coisa. Cada foto que faz acaba sendo quase um xerox dele mesmo, acaba se doando para o universo que está fotografando. Robert Capa dizia que, quando as fotos não estão totalmente boas, é porque não estamos perto o suficiente. Acredito muito nisso.
E tem o outro lado, que não é menos importante, que é o cara saber do que tá falando, né? Como em qualquer outra profissão. Você precisa ter referência, estudar.

IVT - Se não fotografia, com o que você gostaria de trabalhar?
PL - Sabe que andei me perguntando isso há pouco? Penso que nada me preenche mais que a fotografia. Mas se não fosse, com certeza não sairia do mundo das artes.
Neste dia 24 de outubro de 2011, o inesquecível Ziraldo completa 79 anos de vida. Para celebrar a data, republicamos aqui, na íntegra, a entrevista que fizemos com ele na nossa primeira edição, a Inventa_00, publicada em dezembro de 2008. Acomode-se na cadeira e tenha uma boa leitura.

Olivetti 90_ Ziraldo
por Marília Bobato
fotos: Guadalupe Presas
Ziraldo Alves Pinto se declara o inventor do mouseman, tem consultora para o Google e acha que a internet está cheia de gente exercendo sua mediocridade. Apesar disso, seu nome está lá, em mais de 200 vídeos do YouTube e mais de 60 comunidades do Orkut. Cheio de idéias, o mineiro se auto-intitula um generalista.
Inventa – Você acha que o Brasil tem motivos para comemorar o Dia da Criatividade?
Ziraldo – Olha, que coincidência, estou sendo entrevistado justo no Dia da Criatividade. Só que, para sua revista, devia ser o Dia da Inventiva. Porque a criatividade não é uma palavra do idioma português castiço. O Antenor Nascentes, que foi o mais importante dicionário brasileiro da língua portuguesa até os anos 40, não tem a palavra criatividade.
Acho que o brasileiro é muito inventivo, quer dizer, a história brasileira criou possibilidades de gente ter que inventar muita coisa. Você vê, por exemplo, a economia. A correção monetária! Nenhuma nação no mundo usou essa invenção para amenizar as consequências desastrosas da inflação, da perda do valor do dinheiro. Isso foi de uma criatividade canalha, fora do comum! Na história da nossa política, todas as soluções para as crises brasileiras são originais. Sempre canalhas, mas criativas!
IVT – Isso na política. E na cultura, como estamos?
Z – Na área da música, nós somos, sem dúvida, muito criativos. Acho que a criação artística e cultural brasileira é espantosamente competente. Nós temos muitas razões para comemorar. Muita coisa! Belos escritores, belos poetas, nossos cartunistas… O Brasil tem uma vasta população de caricaturistas da mais absoluta qualidade. Qualidade internacional.
Acho que a área de expressão artística brasileira menos criativa é a pintura. Comparando com os pintores mexicanos, por exemplo, dá até tristeza na gente. Rivera, Orozco, Cuevas, Siqueros, Posada… Tem uma lista com mais nomes que não lembro agora.
Você vê, todos estes artistas com nomes hispânicos, herdeiros diretos dos espanhóis, mas com uma presença interior profunda da nova pátria, o México. Pessoal que chegou lá e fez a nação mexicana. E se você pensa nos pintores brasileiros… Isto não ocorreu no Brasil. Nós ficamos com nossos Lasar Segall, Portinari, Malfati, Mabe… que não conseguiram inventar uma pintura brasileira. A despeito do enorme esforço do Aldemir Martins.
IVT – Você acha que falta interesse dos outros povos pela nossa cultura?
Z – Falta. Muito. O Camões não tem a importância do Cervantes, nem um pouco, entretanto Camões é um gênio. A literatura portuguesa é poderosa.
IVT – Mas, então, é porque somos minoria na língua?
Z – Apesar de poderosa, a literatura portuguesa tem pouco valor histórico, apesar das conquistas dos mares pelos portugueses. E segue tendo pouca importância econômica.
Para você ter uma ideia, outro dia, comprei um livro chamado Os Descobridores, uma obra inglesa. Não tinha o Pedro Álvares Cabral, não tinha o Vasco da Gama. Tinha o Scott, que descobriu o Pólo Sul, tinha aquele que descobriu o Pólo Norte, o nome tem que ver no Google. Os portugueses chegaram primeiro em todos os mares, mas para o Hemisfério Norte, Scott é mais importante do que Cabral ou Vasco da Gama. É uma coisa terrível pensar que, para os outros, a gente não tem muita importância.

IVT – O brasileiro se importa em não ser reconhecido internacionalmente?
Z – Sim, se importa. Mas temos boa autoestima, felizmente. A gente sempre acha que é mais sabido, mais esperto, mais bonito; acha que as nossas mulheres são as mais gostosas do mundo. A gente acha que, em futebol, vôlei, porrinha, nós somos os melhores do mundo.
IVT – E não somos? [risos]
Z – Acho que a gente tem tudo para ser a grande nação do terceiro milênio. E vamos ser. Sabe esse logotipo do Brasil que o governo Lula usa? Sobre isso eu já sugeri ao governo e vou sugerir de novo: o Brasil é o único país do mundo que deveria assinar seu nome com um ponto de exclamação! Veja, você vai viajar e, repare, toda vez que alguém perguntar de onde você é. Você fala que é do Brasil, ele exclama: “Oh, Brazil!!!” Se for francês, diz: “Uh, lá, lá, Brésil!!!”.
Podemos ter matado 500 índios, no noticiário deles, desmatado mil florestas, mas não deixamos de ser, para o mundo, um país com ponto de exclamação. Então isso devia ser oficializado no logotipo da nação: todo mundo tem que escrever Brasil com ponto de exclamação!
IVT – Você já sofreu algum bloqueio criativo?
Z – É inacreditável essa coisa!! Olha, tem dia que, pra desenhar, você está com a mão boa e tem dia que é melhor você deixar pra amanhã. Por uma razão qualquer você não está com a mão boa naquele dia. Um mistério!
Veja, tudo o que a gente faz são resoluções de problemas. Toda criação é a resolução de um problema que se apresenta a você. Você tem que entrevistar o Ziraldo, é um problema, mas você resolve. É assim: tem dia que você desenha, desenha… e não acontece nada. Mas tem dia que você se acha um gênio…
IVT – Não vai nem dormir…
Z – Não vou mesmo, vou desenhar até amanhã de manhã. Atualmente não está acontecendo mais porque sou mais preguiçoso em relação ao desenho, mas acontece e já aconteceu demais. Tinha dia que eu declarava: “Olha isso aqui, meu Deus!” E tem dia que não consigo fazer um traço…
IVT – E aí, faz o quê? Espera passar?
Z – É claro. Nada é permanente, nem a criação e muito menos o bloqueio. E o artista sempre tem a seu favor a obsessão. É fundamental. Desde o mais zen, o mais calmo. O artista está sempre buscando alguma coisa.
IVT – Não para nunca?
Z – Não para, não para. Arte é obsessão. Você pode diminuir seu tônus com o passar do tempo, ainda que, em pintura, o artista dure mais. Você vê, o Manet pintou até morrer. Picasso pintou até morrer. O Chagall, com 90 anos, pintava 20 quadros por dia. Dalí pintou até morrer. O Orozco pintava o dia inteiro com um braço só. Fez aquele mural enorme em Guadalajara, sozinho, sem ajuda de ninguém.
IVT – Você tem ciúme das suas obras? Conta com ajuda de alguém?
Z – Não, não tenho ciúmes, imagina. Durante muito tempo tive muita preocupação com a artesania, com o acabamento. Como que eu vou resolver a cor? Como é que esse desenho vai sair? Aquele negócio todo. Hoje, tudo que faço está na minha cabeça. Se a ideia me satisfaz, eu a realizo com a ajuda do pessoal que trabalha no computador comigo. Faço uma parte e eles fazem o resto. O que me interessa no computador é que posso materializar o que está na minha cabeça. Neste momento, estou fazendo uma série de pinturas. Em tela mesmo. Uma incursão à grande pintura. Não tenho muita paciência pra ficar enchendo o espaço na cor que escolhi. Sei o azul que quero, então digo para o meu mouseman: “Enche de azul aí pra mim”. Eu coloco a ideia, ele completa do jeito que peço. Inventei a profissão do mouseman, que é o cara que mexe o mouse pra mim.
Nas grandes telas que estou fazendo, também tem um craque que está me ajudando. Não tenho mais a calma do Orozco. E minha arte é uma arte de invenção.
IVT – Essa exposição vai para onde?
Z – Olha, eu não sei ainda. É uma coisa gigantesca, não estou com pressa não. Não tenho data pra acabar, nem para expor. Talvez traga aqui para Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer, talvez leve pro Museu Nacional, em Brasília, talvez pro Museu de Arte Moderno, no Rio. Vou ver.

IVT – O artista pode parar, se aposentar?
Z – Você pode diminuir o volume da sua produção, mas parar é difícil. Por exemplo: o Chico (Buarque), depois de anos, fez aquela música linda chamada Renata Maria. É a letra mais bonita que o Chico já fez na vida. Antes ele podia fazer 20 por semana, agora ele senta e faz uma, duas, mas são as mais bonitas. O que muda é isso. E se ele sentar pra fazer, vai fazer a mais bonita de todas. Então, ninguém pode dizer que o artista fica decadente, que parou. Isso é mentira. Ninguém para não. Só que chega um momento em que o artista não tem mais que provar nada. Se ele não está com vontade de fazer, simplesmente não faz. E, quando faz, mostra quem é ou quem foi.
IVT – Chega uma hora que o artista pode parar de fazer tudo por obrigação e fazer apenas por prazer?
Z – Pois é. Veja, as coisas mais fantásticas que o Picasso fez, ele fez com mais de 80 anos. Os desenhos mais fantásticos. Os desenhos mais eróticos do Picasso. Até o Millôr Fernandes fez um versinho ótimo pra ele. Algo assim: “Que coisa linda são os desenhos eróticos do Picasso. Parabéns, Picasso. Não pelos desenhos, mas pela memória.” [risos]
IVT – Você comentou: e-mail, computador, Google, várias coisas…
Z – Ah, não mexo com isso, não.
IVT – Tem alguém que faz para você?
Z – Eu uso máquina de escrever. Trabalho na minha Olivetti 90. Tenho uma digitadora maravilhosa que também é minha consultora do Google. Tenho todas as enciclopédias que você pode imaginar que um brasileiro tem. Delas, não abro mão. Gosto de consultá-las. Sempre vivi com elas.
IVT – E ainda usa as enciclopédias?
Z – Muito, eu adoro. Só que agora elas mudaram de função. De tanto usá-las, elas estão gastas, desfaceladas. Agora decoram minha casa.
Na velocidade que trabalho, viro pra Yvone, minha digitadora gênio, ou pra Márcia, minha mulher, e peço: “Oh, Yvone, me vê a bandeira da Tasmânia.” Ela vai lá no Google e acha. Aí eu digo: “Escuta aqui, a Islândia, a capital é Reiquiavique ainda? Como se escreve Reiquiavique? Vê aí pra mim…” E vou colocando na máquina de escrever: Islândia, Reiquiavique…
IVT – Mas em algumas entrevistas anteriores você criticava os internautas. Não a internet em si, mas os internautas…
Z – Não existe o internauta. Quer dizer, o que eu critico é a humanidade toda. A humanidade é muito medíocre. As pessoas não-medíocres na humanidade são menos de 10% dos 6 bilhões de habitantes. Então, a internet é a alma exposta da humanidade. A alma explícita dela. Ali você vê como se comporta o ser humano. Como a internet é uma porta aberta, qualquer um tem acesso. E a grande maioria das pessoas que você encontra na internet vem dos que nunca tiveram espaço para se manifestar e, agora, se manifestam sem ter o que dizer.
IVT – Eles não têm nada a dizer?
Z – A internet é o bem mais fantástico que foi legado ao ser humano. É a mais completa fonte de informação que existe. Ela só me interessa nessa medida. Porque tudo o que eu preciso saber, está lá. Se quiser saber até sobre a Teoria da Relatividade, eu procuro na internet. Toda a Enciclopédia Britânica está lá, todo o acervo do Museu Britânico também. É sensacional. O que se esperava, então? Que ela fosse o centro de uma Universidade. Que ela fosse, como um símbolo, um lugar para se ouvir a boa música! Mas ela virou o reino dos pedófilos, dos contadores de anedotas medíocres, o paraíso do mau gosto! Está cheia de gente exercendo ali sua mediocridade. Aí, vai um cara lá no YouTube e coloca um vídeo denunciando: “Ziraldo xinga os internautas”. Estou falando mal é dele mesmo! Esse sujeito que me colocou no YouTube é exatamente o que faz parte do que há de pior ali.

IVT – Tem 209 vídeos seus no YouTube.
Z – Contra mim?
IVT – Não. Falando de você. Alguma entrevista que você já deu, assuntos relacionados a você…
Z – No YouTube? [pergunta desacreditado]
IVT – Sim. São 209 vídeos.
Z – No Google tem mais de 350 mil páginas…
IVT – Comunidades no Orkut são 62.
Z – Tem aquela dos coletes do Ziraldo… não é?
IVT – É a “O Ziraldo só tem um colete”.
Z – [risos] Tem também: “O Ziraldo nunca broxou”… [risos] Eu me divirto com isso. Olha, você pode usar a internet para se divertir também, mas tem gente que não sabe usar assim e então a internet se torna muito idiota.
IVT – É uma diversão medíocre?
Z – Não completamente. No YouTube também tem coisas divertidíssimas, criativas. Mas, em geral, o cara que tem uma ideia brilhante não está muito interessado em colocá-la na internet, ele vai botar num livro. Agora, quem não tem ideia nenhuma coloca na internet.
IVT – Falando em ideia, você tem algo novo para lançar?
Z – Vai ter um livro, acho que vai virar a Menina Maluquinha. A minha personagem Julieta começou nas histórias em quadrinho e cresceu muito nesse meio. Agora vai virar livro. Vai fazer a viagem ao contrário. Sempre tem o livro que virou a série, não é? O filme que virou a série. A Julieta vai ser a série que virou livro. Vai ser literatura mesmo, com texto literário. As moças da Editora Globo e o pessoal que trabalha comigo, chefiado pelo Miguel Mendes, desenvolveram a Julieta nos quadrinhos. Agora, ninguém tasca. Só eu mesmo. Não vai ter ninguém desenhando pra mim. Nos livros, faço tudo sozinho!
por Mateus Ribeirete
Foto: divulgação

Urbi et Orbi: em bom latim, “à cidade e ao mundo”. Daniel Babalin, 22, é o responsável pelo projeto Orbiphones. A ideia, tão simples quanto bem pensada, consiste em fotografar pessoas com fones de ouvido e perguntar o que elas estão escutando.
Tudo começou com o Metrophones, que Babalin criou no ano passado e tocou ao lado de Rebecca Raia, no qual a mesma ideia era executada somente nos metrôs de São Paulo. Com o tempo e a boa recepção do site, Babalin decidiu ampliar seu terreno, estendendo-o às ruas e abrindo espaço para contribuições de qualquer lugar do mundo.
“Um encontro entre o Sartorialist e o Last.fm”, define Babalin, formado em Tradução-Interpretação. Ele, que já conseguiu espaço na Virada Cultural de São Paulo, conversou com a Inventa em meio às saídas para fotografar.
INVENTA - Como surgiu a ideia de iniciar o Metrophones, e, depois, o Orbiphones?
DANIEL BABALIN - Sempre fui um aficcionado por música, mas nunca tive o talento nem dedicação para aprender a tocar nenhum instrumento. Indepentemente disso, tive uma relação muito próxima com a música desde pequeno, indo a diversos shows. No começo de 2011, vi um vídeo do Scott Schumann (do blog The Sartorialist) falando sobre seu projeto, que consiste em fotografar pessoas que ele considera estarem bem vestidas, publicar em seu blog e comentar a seleção de roupas. Achei o vídeo sensacional, e ele me inspirou a querer fazer algo semelhante.
Como já existiam vários outros blogs de street fashion, decidi dar o meu toque pessoal à coisa toda e, após uns minutos pensando a respeito, tive a sacada de fazer fotos apenas de pessoas escutando música em seus fones de ouvido enquanto transitavam pela cidade, sobretudo no metrô paulistano — onde é possivel encontrar dezenas delas em cada trem. O Orbiphones veio como uma consequência lógica do trabalho: a vontade de não me limitar apenas ao metrô e de abrir o blog para mais conteúdo sobre música.
IVT - Pelo que você tem observado, o quanto o gosto musical de alguém influencia no seu visual?
DB - De certo modo, sempre influencia um pouco. A personalidade de cada pessoa sempre acaba refletindo um pouco das músicas que ouve, e essa mesma personalidade dita as roupas que as pessoas usam. Claro que em certas pessoas isso é mais evidente, enquanto em outras transparece bem pouco. O que acho interessante é ver como às vezes a primeira impressão que tenho de alguém a ser entrevistado se desmancha assim que tal pessoa responde às primeiras perguntas.
IVT - Qual costuma ser a reação das pessoas quando você as para e pergunta o que estão ouvindo?
DB - Tem sido bem mais positiva do que eu imaginava. Obviamente há aquelas com pressa, e eventualmente algumas tímidas, mas no geral as pessoas colaboram bastante. Acho que o fato de o projeto ser pautado em torno da música que elas ouvem ajuda muito. Música é algo que mexe demais com as pessoas: elas gostam de falar sobre música, de socializar através dela. Uma boa prova disso é o constante surgimento de novas redes sociais fundamentadas em gostos musicais.
IVT - Como você vê a ideia de colaborações mundiais para o seu blog? Qual o principal objetivo delas?
DB - É uma idéia cujo crescimento eu espero que se dê junto com o do blog. Acho que, hoje em dia, este é o caminho para a maioria das coisas: deixar com que as pessoas participem, se envolvam e se sintam parte de algo maior. Imagino que a longo prazo, com essa contribuição, poderemos ter uma base de dados em escala global e mapear parte do que se escuta pelas mais diversas cidades.
foto Fábio Kotinda

A Meninos Store é uma loja brasileira de comércio online criada pelos designers Bruno Warchavsky (31) e Diogo Magalhães (31). Os dois transformam os filmes, livros e ícones pop mais queridos da atualidade em objetos de decoração. Tem tapete, abajur, cabideiro, utensílios para a cozinha e várias outras coisas que, quando você vê, fica com vontade de comprar todas. Unindo essa admiração por tudo que eles fazem e a curiosidade em saber dos bastidores dessa loja tão criativa, a Inventa resolveu bater um papo com os idealizadores da Meninos Store. O resultado você confere logo abaixo.
INVENTA - Como surgiu a ideia da loja?
BRUNO E DIOGO -Os produtos surgiram de forma despretensiosa, fizemos alguns produtos para uso próprio, os amigos foram gostando. Com isso montamos a “Meninos Store”, devido a necessidade vendermos para nossos amigos, posteriormente para os amigos dos amigos, em seguida para os amigos dos amigos dos amigos, e muito rápido já eram os amigos dos amigos dos amigos dos amigos… E assim tem sido sucessivamente. Felizmente temos feito cada vez mais amigos.
Hoje a “Meninos Store” é a loja online, através da qual são comercializados no varejo os “Meninos Products”, diversos produtos de talentosos designers e estúdios brasileiros, além das principais marcas internacionais de design e decoração.
IVT - Quantas pessoas fazem parte da equipe Meninos hoje e onde vocês estão instalados?
BD - Nosso estúdio fica no Rio de Janeiro, nossa equipe de criação tem quatro pessoas.
IVT - Qual foi o primeiro produto que vocês criaram? E o primeiro vendido?
BD - Os primeiros produtos foram os cases de HD externo que também foram os primeiros vendidos.
IVT - O que tem de Brasil nos produtos que vocês fazem?
BD – Tudo. Somos brasileiros, nossa interpretação, mesmo quando de referências de outras culturas representam, de alguma forma, o olhar de um designer brasileiro.
IVT - Vocês notam alguma diferença entre as preferências de consumo dos brasileiros e dos gringos? Por exemplo, alguns produtos vendem mais aqui do que lá fora?
BD - Na realidade, não sentimos essa diferença em relação ao tipo de produto. No exterior, por ser muito mais difundido o hábito de compra online, há menos receio e dúvidas em relação à compra, mas aqui no Brasil percebemos um crescimento acelerado nesse sentido e o consumidor cada vez mais confortável em realizar compras online.
IVT - Onde vocês buscam inspiração? Como funciona o processo criativo, desde a ideia até a comercialização dela no site…
BD - Não temos rotina para criação, as ideias vêm das mais diferentes fontes de inspiração, um filme, um livro, um viral, um comentário em algum blog, uma imagem… Enfim, não tem regra. Estamos sempre criando, a maioria dos projetos estão em fase de desenvolvimento ou aguardando para serem desenvolvidos, tem muita coisa ainda esperando para ser lançada. O processo de estudo de viabilidade, detalhamento, gerenciamento e produção requer muita atenção e cuidado, não é tão rápido como criar.
IVT - Que profissionais são referências para vocês na área de design?
BD - David Carson, Philippe Starck, Gringo Cardia, Paula Scher, Os Gêmeos… E por aí vai, nossa são tantos. :)
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por Taís Mainardes
colaboração Galeria Lúdica
foto Jayelle Hudson

Ele chegou a andar de skate com Bob Burnquist, Ricardo Pingüim, Robson Reco, Marcus Vinicius e tantos outros. Por achar que não andava no mesmo nível que eles, resolveu começar a fotografar na pista.
No universo dos skatistas, muitos grafiteiros e pichadores. Flávio Samelo, que já gostava da arquitetura, começou a se identificar com arte contemporânea e resolveu estudar mais sobre o assunto.
Samelo é um dos grandes nomes da arte urbana nacional do momento. E é sobre foto e artes plásticas que ele conversa hoje (3) na Galeria Lúdica durante o evento Passaport Art Edition, às 19h. Antes disso, bateu um papo com a gente. “Meu trabalho é um jeito de fazer a foto virar pintura”, disse à Inventa.
INVENTA - Sua vida profissional começou fotografando skatistas em 1992. Uma curiosidade: você também anda de skate?
FLÁVIO SAMELO – Já andei mais frequentemente. Hoje queria andar mais, mas não tem dado muito tempo. Tô viajando bastante, trabalhando bastante, enfim… tem que pagar aluguel (risos) então não dá pra ficar andando tanto de skate como quando tinha uns 19 anos.
IVT - Em Curitiba, ano passado você participou da Bienal Vento Sul e agora na Lúdica. Chegou a fotografar por aqui?
FS - Assim, de skate?
IVT - Não, de tudo.
FS - Então, quase morei em Curitiba, acho que em 1999, cheguei a procurar casa e tudo por aqui porque trabalhava direto para a Drop Dead. Na verdade trabalhava mais pra Drop Dead do que pra qualquer outra marca.
IVT - Fotografando propaganda?
FS - Sim, fazendo fotos para anúncios, campanhas, banner de loja, shapes, camisetas… a Drop faz parte da minha vida.
IVT - Essa foi a parte comercial por aqui. Você chegou a fazer foto artística?
FS – Fiz, sim, na época que estava por aqui. Sempre que vou viajar, acabo fazendo essas fotos… não sei, não vou lembrar especificamente, mas na época da Bienal fiz várias fotos aqui, material que levei pra Porto Alegre, pra fora, pra leilão…
por Felipe Gollnick
foto Divulgação

Autor de livros como Juliano Pavollini, Trapo, o recém-lançado Um Erro Emocional e o multipremiado O Filho Eterno - escolhido pelo importante Prêmio Portugal Telecom como o melhor romance em língua portuguesa do ano de 2008 - que, em breve, deve virar longa metragem, o catarinense Cristovão Tezza tem Curitiba como sua cidade.
Depois de participar do evento Um escritor na biblioteca, realizado pela Biblioteca Pública do Paraná em Curitiba, o autor conversou um pouquinho com a gente.
INVENTA - Já faz mais de um ano que você parou de dar aulas para se dedicar à literatura. Como sentiu sua evolução como escritor nesse período?
CRISTOVÃO TEZZA - Olha, tá sendo uma coisa muito boa, estou vivendo só do que eu sempre quis fazer, que é literatura. Estou escrevendo, lendo, e posso me concentrar mais no meu trabalho. A partir desse momento da minha vida [em que deixou de dar aulas] acredito que meu trabalho acadêmico tinha sido cumprido já.
IVT- Seu livro Juliano Pavollini é ambientado na Curitiba dos anos 60. As referências são cenários vistos por você ou as descrições da narrativa partiram de relatos de outras pessoas?
CT - O que tem de ficção ali é a ficção da história, mas é uma Curitiba que vivi, que é a época em que cheguei na cidade. Cheguei aqui em 1961 e estudava no Colégio Estadual do Paraná. Na época, a rua Riachuelo era a rua da prostituição, tinha aqueles hotéis ali da região. E aí claro, vendo de hoje, inventei aquela história do Juliano, mas ambientada em uma Curitiba da qual eu estava muito próximo.
IVT - Como está sendo a recepção do público do seu último lançamento, Um Erro Emocional?
CT - Olha, está surpreendentemente boa. Está para sair uma segunda edição do livro agora. Eu não esperava que fosse assim tão rápido porque é um livro mais difícil, que tem uma linguagem mais complexa que O Filho Eterno e é um outro tema completamente diferente, mas esta com uma ótima recepção, estou muito feliz com o resultado.
IVT - E o filme de O Filho Eterno?
CT - Pois é, cedi os direitos dele e não sei, não tenho mais nenhum controle daqui para frente. Não vou mudar o roteiro nem nada, eles [a produtora RT Features] têm total liberdade sobre isso, porque filme é outra linguagem, então, preferi deixar isso separado.
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Um pouco mais sobre Tezza
por Thaisa Carolina
Aos nove anos de idade, o catarinense Cristovão Tezza perdeu o pai e ganhou Curitiba como novo endereço, cidade que serve de cenário para seus textos até hoje. Há um tempo abandonou a máquina de escrever, seu primeiro instrumento de trabalho antes mesmo de ser um reconhecido escritor – com sua habilidade em datilografar rapidamente, foi contratado para redigir documentos num escritório de advocacia quando ainda adolescente.
Hoje usa o computador para escrever romances e crônicas, e o Kindle para ler livros, principalmente quando viaja. Para o ano de 2012, está previsto o lançamento de uma coletânea de suas crônicas, com apresentação e organização de Christian Schwartz.