Posts tagged Priscilla Scurupa

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Quem tem o muro, doa. Quem domina a arte, pinta. Assim, o cinza da cidade cede às cores e convida aos passantes a sonhar. O espaço urbano ganha novo significado, a conexão com a cidade se faz. Esse é o objetivo do projeto Color+City, que pretende levar às ruas de São Paulo a street art de quem se dispuser a ocupar os lugares cedidos por moradores e comerciantes locais.


Funciona assim: o dono do muro autoriza a pintura do muro, fachada ou espaço livre, posta fotos do local onde está liberando, e espera; o artista escolhe, em um mapa, o lugar onde quer deixar sua marca e garante a reserva do espaço por 15 dias. Aí é só dar asas à imaginação e curtir as reações do público.


No vídeo, mais informações sobre o projeto:

Entre os dias 28 e 30 de setembro, o Sesc Paço da Liberdade exibe o documentário Siba – Nos Balés da Tormenta, sobre o poeta, músico e compositor Siba Veloso. O longa retrata sua carreira e os bastidores da produção de seu último disco, Avante. Na sessão do dia 28, às 18h30, o público contará com a presença do músico para um bate-papo.

Foto Rodrigo Fonseca
Siba Veloso é um dos mais importantes letristas-poetas da nova música que vem do nordeste brasileiro. Nascido em Recife, surgiu no cenário musical nos 1990, em meio ao boom do movimento manguebeat, com a ótima Mestre Ambrósio. A banda ficou conhecida por misturar aos ritmos nordestinos de maracatus, cocos, cirandas, sambas e forrós, sonoridades urbanas como rock, jazz e música africana.
Anos depois, refugiou-se na Zona da Mata pernambucana para mergulhar ainda mais em suas raízes. Por lá, formou o grupo Siba e a Fuloresta, a fim de atrair luzes para a arte de músicos/brincantes ligados ao Maracatu Rural e ao Cavalo Marinho - manifestações culturais genuínas e tipicamente nordestinas.
Aclamado por crítica e público por seu trabalho dedicado à música regional, Siba não se acomodou. No começo de 2012, lançou Avante, seu primeiro disco solo. Longe da tradicional rabeca, reconciliou-se com a guitarra e, ao lado de Fernando Catatau, produziu um dos melhores discos do ano. O documentário Siba – Nos Balés da Tormenta é um registro de todo o processo de concepção, formação da banda e gravação de Avante.

Lançamento do documentário Siba - Nos Balés da Tormenta
Onde: Sesc Paço da Liberdade (Pça. Generoso Marques, s/n - Curitiba/PR)
Quando: 28/09 (às 18h30) | 29/09 (às 17h30) | 30/09 (às 15h)
Quanto: R$10 (inteira) | R$5 (estudantes)

De um lado, o crescimento exponencial do mercado editorial brasileiro, com novos lançamentos, prêmios literários e autores revelados a cada ano. De outro, índices como os do Indicador do Alfabetismo Funcional 2011-2012, que revelam que apenas 35% dos brasileiros com ensino médio completo podem ser considerados plenamente alfabetizados e 38% com formação superior têm nível insuficiente em leitura e escrita. Diante desse cenário e com a preocupação de aproximar a literatura, os livros e seus autores ao dia a dia das pessoas, é que surge a 31ª edição da Semana Literária e Feira do Livro SESC, realizada de 10 a 15 de setembro em 21 cidades do Paraná. Neste ano, o tema do evento é Recriar-se/Reinventar-se e discute de que modo a literatura deve ou não se transformar para atrair novos leitores.
Além de diversas mesas-redondas com 32 autores consagrados, como Nélida Piñon, Cristóvão Tezza e Eucanaã Ferraz, seções de autógrafos e oficinas, a Semana Literária homenageia o escritor paranaense Dalton Trevisan.
Em Curitiba, o evento ocorre na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da UFPR, e tem entrada gratuita. Mas uma dica: para garantir sua vaga nas palestras e oficinas, inscreva-se antecipadamente no site oficial.

Confira a programação completa aqui.

“Entre o público e a obra de arte, quem tem razão é sempre a obra de arte”. A frase do centenário Nelson Rodrigues serve perfeitamente para esclarecer a confusão que se desenrolou em Atlanta, nos EUA, há poucos dias. De 15 a 19 de agosto, a cidade recebeu o Living Walls, evento de street art que convida diversos artistas a ocuparem as ruas e muros da cidade com seus trabalhos. Essa edição, em especial, contava com um elenco composto apenas por mulheres. Uma delas era a argentina Hyuro.

No bairro de Chosewood, ela pintou uma sequência de imagens que, aos olhos de quem caminhasse por ali, se tornava animação. O primeiro desenho mostrava uma mulher nua e, a cada nova figura, pelos cresciam em seu corpo, até virarem uma espécie de vestido. Ao final, o vestido cai e se transforma em um lobo que sai correndo. O trabalho foi baseado nessa animação realizada por Hyuro em 2011:
Várias interpretações sobre o trabalho são possíveis. A força contida em cada mulher. Os instintos que fazem parte de todos nós. Ou até mesmo a explicação dada pela própria artista: o abandono de nosso lado irracional para alcançarmos estágios superiores de pensamento. Qualquer que fosse o intérprete, a qualidade e beleza do trabalho eram inegáveis. Mas não foi o que pensaram os moradores de Chosewood, região cercada por uma igreja, uma mesquita, uma prisão federal e pontos de prostituição.

Ofensivo demais, alegaram. Imagine só o que aquelas imagens poderiam causar à mente das crianças que por ali passassem! Nudez, libertação feminina e instintos animais não eram assuntos dos quais eles gostariam de tratar. Ao final do dia, solicitaram: que o painel fosse apagado.

Depois de muitas discussões sobre censurar ou não, inclusive em rede aberta de televisão, a arte venceu temporariamente a batalha contra o moralismo. A mulher-loba ainda está estampada no muro. Sob ameaças, provoca cada passante a refletir se o problema é sua feminilidade explicitada ou a mentalidade de quem a vê.

Um dos retratos mais bonitos de Paulo Leminski é o que estampa a capa da terceira edição de Catatau, seu romance-ideia lançado em 1975. Na imagem em preto e branco com fundo infinito, ele aparece sentado, completamente nu, e tem o sexo encoberto por suas pernas cruzadas. Seus pés, em primeiro plano, lembram os pés de Abaporu, obra de Tarsila do Amaral em referência ao “homem que come gente”, símbolo do movimento antropofágico brasileiro. A fotografia, que sintetizou a alma devoradora do poeta curitibano, foi clicada por Dico Kremer, seu amigo de longa data e companheiro de profissão quando atuavam no mercado publicitário.


A exposição Convivência, em cartaz na Biblioteca Pública do Paraná a partir de amanhã, reúne este e outros 20 retratos – muitos deles inéditos - produzidos por Dico Kremer e revela, direta e indiretamente, a intimidade dos dois amigos e o cotidiano do poeta. A mostra é uma homenagem ao aniversário de Leminski, nascido em 24 de agosto.

Convivência - Exposição com 21 fotografias de Paulo Leminski, por Dico Kremer
Quando: de 24 de agosto a 28 de setembro
Onde: Hall térreo da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133 – Curitiba/PR)
Quanto: entrada franca

“Le Corbusier limpou de preconceitos o horizonte, fez suas e divulgou todas as ideias a respeito do viver humano, intransigente, infatigável, inovador, permitindo-nos partir de um novo trampolim para construir e habitar”. Foi sob o pseudônimo de Alencastro que Lina Bo Bardi defendeu o trabalho de Charles Edouard Jeanneret-Gris, conhecido como Le Corbusier, das duras críticas de jornalistas e intelectuais de sua época. Para eles, a temática lecorbuseriana “plástico-formalista” precisava ser superada e substituída por uma arquitetura baseada na produção industrial de massa. Para Lina, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, e toda uma geração de arquitetos e urbanistas brasileiros, no entanto, os ensinamentos de Le Corbusier foram essenciais para a formulação de uma nova arquitetura, tipicamente brasileira, baseada nas necessidades do homem moderno e na rejeição dos estilos históricos.

Mas a admiração dos brasileiros por Le Corbusier não foi uma via de mão-única. É o que revela a mostra Le Corbusier - América do Sul – 1929, inaugurada ontem no Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo. A exposição traz 26 originais de Le Corbusier produzidos em sua viagem de 74 dias pela América do Sul, de setembro a dezembro de 1929. Na época, ele passou por Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil - foram 16 dias em São Paulo e quatro no Rio. Os desenhos são um testemunho da mudança dos conceitos e ideias do Le Corbusier frente ao impacto de ter conhecido a paisagem sul-americana.
A viagem à América do Sul fez Le Corbusier se tornar menos rígido. “Ele percebeu que a natureza não é cartesiana, que o universo não é feito só de referências racionalistas”, comenta o arquiteto Hugo Segawa, curador da mostra, em parceria com o historiador da arte Rodrigo Queiroz. “Quando ele retornou à Europa, já tinha se transformado em outro homem”, conta.


Além dos desenhos inéditos, a exposição traz ainda uma maquete de uma biblioteca projetada por Le Corbusier para um casarão no bairro Higienópolis, em São Paulo. A obra, infelizmente, nunca foi executada, mas sem dúvidas teria sido um grande presente ao Brasil deste que é um dos mais importantes nomes da arquitetura do século XX.

Le Corbusier – América do Sul – 1929
Quando: de 23 de agosto a 21 de outubro. Terça a sexta, das 10 às 21h. Sábados, domingos e feriados, das 10 às 18h.
Onde: Centro Universitário Maria Antonia da USP (Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, São Paulo)
Quanto: entrada gratuita

Objetos comuns e uma boa iluminação. A receita das obras de Kumi Yamashita é simples, mas surpreende pelos resultados. Às vezes adaptando a luz às peças ou as peças à luz, ela cria projeções extremamente realistas:






fotos Geísa Borrelli/Divulgação

No processo de concepção e fabricação de objetos, o fetiche. Criá-los para serem desejados, mas mais do que isso, acrescentá-los de significados que ultrapassem seus valores estéticos ou meramente funcionais. Tal conceito é o que inspira o casal Paulo Biacchi e Carolina Armellini, proprietários e idealizadores da Fetiche Design, empresa curitibana de mobiliário, decoração e consultoria de tendências.
Antes uma loja na Rua Vicente Machado, a Fetiche está instalada hoje em uma simpática casa de estilo português, de propriedade de um lusitano e localizada, coincidentemente, na Rua Portugal. Nela, Carolina e Paulo montaram um escritório, oficina e, finalmente, encontraram a liberdade e o isolamento necessário para criar. Em um dia de sol em Curitiba, sentados a uma mesa da coleção Vergalho e em bancos da coleção Pai João, produtos da Fetiche, foi que batemos um papo com o casal:
INVENTA - Como nasceu a Fetiche Design?
CAROLINA ARMELLINI - No conhecemos em 1999, no curso de Desenho Industrial da Universidade Federal do Paraná. Não éramos da mesma turma, mas tínhamos amigos em comum. Nos formamos e, depois de alguns anos, nos reencontramos. Casamos em 2006 e, em 2008, com a ideia de investir em algo mais autoral, criamos a Fetiche.
PAULO BIACCHI - Trabalhávamos em escritório, uma coisa bem comercial. Algumas ideias em que acreditávamos, não iam para frente. Então pensamos: ‘e se a gente peitasse nossas ideias’? Foi ai que veio a ideia de produzir as peças, pagar e vender. Começamos com nosso mobiliário para mostrar nosso desenho, nosso potencial. Na verdade não sabíamos direito o que queríamos. Produzíamos coisas novas, que às vezes davam certo, às vezes davam errado. Foi somente com o tempo, depois de muita experimentação, que chegamos à identidade que temos hoje.
A primeira experiência com o mercado foi uma loja que abrimos na Rua Vicente Machado. O objetivo era montar um escritório e embaixo expor nosso trabalho. Promovíamos muitos vernissages. As pessoas entravam e diziam ‘nossa vocês são vanguarda, são lindos’, só que não compravam nada. Em dois anos, vendemos apenas duas peças.
CAROLINA ARMELLINI - Pode parecer dinheiro jogado fora, mas na verdade foi um investimento. Fomos à rua, demos a cara à tapa e a coisa funcionou muito bem. Em uma daquelas confraternizações, o pessoal da Micasa nos descobriu. Apareceu um cara por lá e perguntou: ‘vocês já vendem essa cadeira em algum lugar? Não? Querem vender lá?’ E claro, topamos.


IVT – E por que fetiche?
CA - Lendo para o mestrado, descobri um artigo do designer Rafael Cardoso, “Design, cultura material e o fetichismo dos objetos”. Resumindo, nesse artigo ele defende que os designers deveriam usar mais esse lado fetichista dos objetos, ou seja, acrescentar valores aos produtos além do funcional e do estético. Eu adorei o que o cara estava defendendo e tinha muito a ver com o trabalho que fazemos. Todos os nossos produtos têm uma base forte de conceito. No final, nem sempre o produto tem esse conceito claro, mas ele tem essa base forte. Então o fetiche é isso, é essa definição do ter conceito. E o nosso trabalho tem muito a ver com isso.
PB – A coleção Pai João, baseada na cultura popular que envolve essa entidade, é um exemplo. São bancos artesanais, de trama de tabôa, mas demos uma nova roupagem à trama usando material plástico, industrial. Há quase um conflito, é como se fosse o preto velho vestido de Armani, como a gente costuma brincar. Demos outro status para as peças, um acabamento melhor, remetendo ainda a essa coisa lowtec, só que tem uma aparência hightec.
IVT - Qual a importância da parceria com a Micasa?
CA - Quando começamos, éramos exclusivos da Micasa. A linguagem dos produtos deles é a nossa linguagem. Eles foram nossa porta de entrada para o mercado nacional. Depois, outras marcas acabaram convidando a gente. Às vezes não só pra desenhar, mas também pra fazer curadoria de coleção, consultoria de tendência. Então nosso leque acabou abrindo bastante, só que sempre nessa linha design-tendência-mobiliário e com o diferencial Fetiche.


IVT - Em uma entrevista, vocês mencionaram que, enquanto o Paulo se dedicava ao desenvolvimento de produtos, a Carolina era mais focada em pesquisas científicas voltadas ao design. Isso, de alguma forma, ainda se reflete no processo criativo de vocês? Há uma divisão de tarefas?
CA – Acho que sim. O Paulo acaba sendo o diretor de criação. O desenho, o rascunho das formas começa com ele. Eu já sou mais voltada à pesquisa, estou sempre buscando tendências e acabo cuidando de detalhes como ‘ah, então vamos colocar essa fivelinha diferente’. A conceituação, no entanto, fazemos juntos, conversando.
PB - É algo dinâmico, complementar.
IVT - Como Curitiba influencia o trabalho de vocês? Por que manter o escritório aqui?
CA - Curitiba é agradável. Apesar de nosso mercado de venda estar principalmente em São Paulo, lá seríamos apenas mais uma marca entre tantas. O fato de sermos curitibanos é interessante para eles, são outras referências. Se você é de fora do eixo, é difícil entrar, mas se você entra, é legal, porque se torna um diferencial.
IVT - Vocês devem ter clientes de Curitiba que compram lá, né?
CA - Ah sim, com certeza. A loja na Vicente Machado, pouca gente ia conhecer. Aí você começa a sair nas revistas de São Paulo, as pessoas olham e falam ‘aaah, são daqui’.
PB – É uma característica de Curitiba e acho que do Brasil também. Precisamos aparecer em blog de fora para sermos notados aqui.

IVT – E no mercado internacional, qual a grande dificuldade para o design brasileiro?
PB - O Brasil é competitivamente inferior em relação à tecnologia de produção estrangeira. Hoje eles enxergam o mercado brasileiro como o design dos irmãos Campana, um design mais artesanal e menos técnico. Tem essa disparidade de fazermos um bom trabalho e eles falarem ‘será que eles vão conseguir’? Conceitualmente, podemos ver tudo na internet, navegar, pesquisar, mas na hora de produzir ainda não desenvolvemos uma tecnologia à altura.
IVT – Quais os projetos futuros da Fetiche?
PB - Ainda para este ano, estamos preparando nova coleção própria, além de estarmos desenvolvendo produtos para outras para marcas como Schuster, Tok&Stok, Holaria, La Lampe, e uma exclusiva para o Clube de Colecionadores de Design do MAM-SP.
CA - São projetos totalmente diferentes, uns comerciais, outros mais artísticos, mas sempre com o conceitual bem desenvolvido. Na prática, é muito gostoso trabalhar dessa forma. Conseguimos ter uma variedade e, deste modo, nos obrigamos a pesquisar esses dois universos. Um alimenta o outro: o conceitual adaptado ao industrial, e a agilidade industrial usada a favor do conceitual.


No Japão, país com a décima maior população do mundo, não é de se admirar que a criatividade floresça nos lugares mais improváveis. Em paisagens monótonas, cobertas de concreto, os japoneses transformam objetos cotidianos em obras de arte.
Pelas ruas, bueiros decorados:




E nas zonas industriais, tanques de gás é que dão vida ao cinza dessas regiões:






Allan Sieber transita pelo território do politicamente incorreto sem hesitar. Sabe muito bem onde pisa e, ao que parece, diverte-se bastante ao trilhá-lo. “Não existe cartunista comportado. Tem sempre que meter o malho em alguma coisa”, afirmou certa vez. E em seus trabalhos, leva a máxima muito a sério.
Notavelmente despreocupado em agradar, não poupa acidez ao criticar a moral, os bons costumes e toda forma de comportamento que lhe pareça risível. Entre suas criações, a premiada animação Deus É Pai, na qual Jesus é um adolescente rebelde em constante conflito com seu pai, o Todo Poderoso; as séries Vida de Estagiário, Bifaland, A Cidade Maldita e Preto no Branco; os livros É Tudo Mais ou Menos Verdade e Ninguém me Convidou, este em parceria com seu pai, Jouralbo Sieber; e roteiros para programas de TV, como o Casseta & Planeta.
Nos dias 27, 28 e 29 de junho, Sieber ministra a oficina Roteiro para Quadrinhos na Biblioteca Pública do Paraná. E no dia 28, às 19h, participa também de um bate papo e sessão de autógrafos na Itiban Comic Shop. Por e-mail, conversamos com ele sobre a visita, suas opiniões sobre humor, redes sociais e, obviamente, quadrinhos. Boa leitura:
INVENTA - Pode-se dizer que no teu trabalho a tosquice é uma técnica?
ALLAN SIEBER - De fato, a tosquice muito crua é muito tosca para o público, pouco palatável. Precisa de um filtro, mas esse filtro tem que ter um senso de escrotidão razoavelmente apurado. Entende? Nem eu, mas faz anos que tenho ganhado a vida com isso.
IVT - Além do mau humor, o que te inspira?
AS - Quem disse que tenho mau humor? Para fazer humor no meio das mulas com quem somos obrigados a aturar no dia-a-dia tem que se ter um puta humor. A vontade era de comprar uma arma ou pelo menos um chicote bem grande.
IVT - De menino adventista que lia a bíblia de trás pra frente a autor de Deus É Pai. Dá pra dizer que entre a religião e os quadrinhos, você optou pelo segundo?
AS - Eu acho que no final das contas foi legal ter lido a Bíblia de cabo a rabo várias vezes. O Antigo Testamento é uma grande obra. O Deus Punitivo é um personagem e tanto. Jó, Davi, Moisés, Noé: o pessoal fazia merdas inacreditáveis.

IVT - Fala-se muito hoje em amadurecimento do mercado brasileiro de quadrinhos e isso inclui o público. Mas muita coisa que você produziu, como Deus É Pai mesmo, sofreu censura pela patrulha do politicamente correto. Isso prejudica de alguma forma o teu trabalho?
AS - Nem um pouco. Na verdade todas as vezes que sofri algum tipo de pressão nesse sentido, reverteu a meu favor. Inclusive encorajo os cristãos a protestarem, eles estão no seu direito, desde que não comecem a atirar pedras na minha mansão, é claro.
IVT - O que torna um texto, um quadrinho ou um programa de TV engraçado?
AS - O inesperado. A saída menos óbvia ou a TÃO óbvia que faz o leitor/espectador pensar: “Filho da puta! Por essa eu não esperava!”. E que fiquem rindo por dias depois lembrando da piada.
IVT - Você sempre disse detestar as redes sociais e os celulares. Agora tem uma conta no Twitter e, pelo que andei lendo, um celular também. A tua opinião sobre essas ferramentas continua a mesma?
AS - O celular é uma merda mesmo. Isso de ser achado em qualquer lugar é o fim da literatura e da narrativa. Pense bem, nenhuma história boa pode ser contada a partir desse paradigma de as pessoas serem encontradas a qualquer hora. De rede social só estou no Twitter, que entrei para ganhar dinheiro, haha. Lá tem umas coisas engraçadas, o cara que se dizia o Bill Murray era genial, por exemplo. Já do facefuck não sei nada, sei que criaram umas páginas para mim, sei lá, qualquer lixo desse tipo.

IVT - Nos dias 27, 28 e 29 de junho você ministra uma oficina de quadrinhos na Biblioteca Pública do Paraná. Você já conhece Curitiba, tem contato com o pessoal daqui?
AS - Talvez em 2005 ou 2007 eu tenha ido para Curitiba, mas não lembro. Não lembro de quase nada desses dois anos específicos.
IVT - Quais foram os critérios que você usou na seleção dos participantes da oficina?
AS - Cabelo penteado e roupas sóbrias. Nem cheguei a olhar os desenhos dos garotos e garotas. Quem usava boné foi descartado sumariamente.
IVT - Existe algum plano de aula, tópicos específicos que você pretende abordar? Alguma expectativa?
AS - Montei uma espécie de apostila com quadrinhos autobiográficos de diversos autores - inclusive meus – e alguns textos e referências. A ênfase é o roteiro de quadrinho autobiográfico e vamos conversar sobre isso. Na verdade não será nada formal, será muita conversa e escrever roteiros e depois jogá-los fora. Ou vice-versa.
IVT - Quadrinhos, ilustrações, roteiros para TV, animações, reportagens e agora uma oficina. Existe algo que você ainda não fez, mas gostaria?
AS - Um ménage à trois com gêmeas japonesas lésbicas e incestuosas. Parece que o Paraná tem uma forte presença nipônica, não? A conferir.

Bate papo e sessão de autógrafos com Allan Sieber
Quando: 28 de junho de 2012, às 19h
Onde: Itiban Comic Shop - Rua Silva Jardim, 845, ao lado da UTFPR - Curitiba/PR
Entrada gratuita

Bleubird é o blog de James, moradora do Texas, mãe de três filhos lindíssimos (o quarto está a caminho) e esposa de Aubrey, com quem se casou há pouco tempo. De todas as seções de fotos que ela posta por lá, as mais encantadoras são, sem dúvidas, as do dia de seu casamento. Uma cerimônia de extremo bom gosto, com toques vintage na decoração, amigos, música e amor… Muito amor!
















Mais? Tem aqui.

Depois dos orelhões brazucas decorados pela Call Parade, agora é a vez das cabines telefônicas de Londres receberem um toque de arte. Por lá, o projeto recebe o nome de BT ArtBox e é uma homenagem ao jubileu de diamante da rainha Elizabeth II.


Para a exposição a céu aberto foram convidados 80 artistas plásticos do Reino Unido. Ao final dela, no dia 16 de julho, todas as obras serão leiloadas para arrecadar fundos para a instituição ChildLine, que oferece apoio psicológico a crianças e adolescentes através de um canal de telefone.


Veja todas as cabines redecoradas e o mapa de localização de cada uma delas aqui.
Em tempos de excesso de informações, o trabalho do designer sueco Viktor Hertz cai muito bem. Inspirado no universo de grandes nomes da música, como Beatles, Bob Dylan e Johnny Cash, ele cria pôsteres em referência às músicas mais famosas destes, usando apenas pictogramas.




Vale a pena uma visita no site oficial do cara, que também é o criador dos Honest Logos.

Mesmo não sendo muito simpático aos holofotes da fama, Dalton Trevisan não pôde evitar o reconhecimento de sua literatura. Este ano, justamente quando acaba de completar 87 anos, o Vampiro de Curitiba recebeu os prêmios literários Camões (por “dedicação ao fazer literário”) e Machado de Assis (pelo “conjunto da obra”), consagrando-se como um dos principais autores do país. E homenagens não faltarão.
Na Biblioteca Pública do Paraná, a mostra fotográfica A Eterna Solidão do Vampiro reúne imagens de Nego Miranda que revelam os cenários por onde os personagens de Trevisan circulam, como ruas, praças, fachadas de casas, prédios e outras construções da capital paranaense. “Minha ideia não foi lançar luz sobre a misteriosa literatura de Dalton, mas sim realçar esse ar sombrio. Quis reforçar essa coisa densa. Por isso, fiz algumas fotos às 4 da manhã, por exemplo. Não é aquela Curitiba do Bondinho, é uma Curitiba pesada”, diz Miranda, explicando o seu projeto. Além da exposição, a BPP também dedicou a Trevisan as 32 páginas da edição de junho do jornal Cândido, com ensaios, reportagens, depoimentos, fotografias e ilustrações sobre sua obra.


E a partir de hoje, no Museu da Imagem e do Som (MIS), a Mostra Dalton Trevisan de Cinema, que exibe filmes de longa e curta-metragem baseados em contos do escritor curitibano. Todas as produções escolhidas se restringem a pouquíssimos filmes autorizados por Trevisan, que exigia fidelidade absoluta a seus escritos, não permitindo adaptações. Todas as projeções serão apresentadas por especialistas da área e têm entrada gratuita.
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A Eterna Solidão do Vampiro
Quando: de 14 de junho a 27 de julho
Onde: Hall de entrada da Biblioteca Pública do Paraná - R. Cândido Lopes, 133 - Curitiba/PR
Entrada franca.
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Mostra Dalton Trevisan de Cinema
Quando: de 18 a 20 de junho (sessões sempre às 19h30)
Onde: Auditório Brasílio Itiberê - R. Cruz Machado, 138 – Curitiba/PR
Entrada franca.
Programação completa aqui.

Se no dia 01 de julho você estiver em São Paulo e se deparar com transeuntes carregando obras de arte pelas ruas, não se assuste. Provavelmente são os participantes da Walking Gallery, evento anual que visa criar um canal alternativo de exposição e venda de obras de arte.


O conceito surgiu em Barcelona com o slogan “no more walls” (chega de paredes) e rapidamente se tornou um fenômeno global. Neste ano, além do Baixo Centro da capital paulista e de sua cidade de origem, o Walking Gallery movimentará também as ruas de Bilbao e Madrid.