Tumblr da Inventa

3 notes

5Minutos_Rafael Coutinho

Por Priscilla Scurupa 

Foto Renato Parada

Rafael Coutinho, em parceria com o escritor Daniel Galera, lançou em 2010 pela Companhia das Letras a graphic novel Cachalote. Aclamada e eleita como umas melhores HQs do ano, a publicação foi marco para uma nova fase dos quadrinhos nacionais. Mas Coutinho tem muito mais a oferecer e não parou por aí. Agora em dezembro o quadrinista esteve em várias capitais do país divulgando três novos trabalhos. 

O Beijo Adolescente é versão impressa da série que Coutinho publicou online no portal IG Jovem ao longo de 2010 que aborda o fim da adolescência e os primeiros passos em direção à vida adulta. Gazzara, seu projeto megalomaníaco: quatro pôsteres em formato A2 que juntos contam uma história. “Lugar de HQ é na parede” é a premissa dos quadrinhos transformados em quadrões pelas mãos de cinco artistas. E por fim, Gordon, um portal online de quadrinhos que abrigará novos talentos da nona arte, além de comercializar produtos do selo. 

Depois de passar por Curitiba para um bate papo com os fãs e sessão de autógrafos na Itiban Comic Shop, Rafael Coutinho conversou com a gente sobre seu trabalho.

INVENTA - Que razões te levaram a ser quadrinista, além de ser filho do Laerte?

RAFAEL COUTINHO - Ser filho do Laerte não me levou a ser quadrinista. Me levou a conhecer quadrinhos intimamente, a feitura, o contato com a intimidade de um artista, que era meu pai. O contato desde cedo com a vasta biblioteca, o encanto de ver como magicamente um desenho saia da cabeça do meu pai pro papel, esse encantamento. A biblioteca, os eventos de quadrinhos, as premiações, o entendimento que quadrinhos era algo sério, que envolvia política, que era influenciado por tudo, cinema, vida. Lembro de me apaixonar de forma romântica pela vida dura do artista, o orgulho do cara que trabalha em algo que é de certa forma marginal, do artista que não tem escolha. Achava isso muito encantador quando era adolescente, jovem. E em um segundo momento, ver que eu era capaz de fazer isso, se me empenhasse.

IVT - Você trabalha com mídias diversas. Desenhos, pinturas, animações. E descrevendo o trabalho com a Gazzara e o Beijo Adolescente, chegou a citar “megalomania”, pela complexidade deles. Por que essa necessidade de extrapolar os formatos tradicionais?

RC - Não sei bem. Sou um cara relativamente tradicional. Gosto dos grids fechados e clássicos quando desenho, gosto de pinturas realistas. Gosto muito das hqs em formatos mais estabelecidos, mas quando aparece a oportunidade de testar algo novo, quero testar. E como gosto de pular do ambiente das galerias pro editorial, fico sempre fantasiando no cruzamento entre elas. Com cinema o mesmo. Vivemos um bom período na história da arte pra testar essas coisas, tudo pode.

IVT - Até um tempo atrás, a única saída para os quadrinhos nacionais parecia ser o “faça você mesmo”. Mas hoje o cenário é outro. Grandes editoras voltaram a publicar HQs, festivais se espalham pelo país e os quadrinistas são considerados, finalmente, autores. Você acredita que isso é sinônimo de amadurecimento do mercado brasileiro?

RC - Sim, acredito. Na verdade, acredito muito nessa palavra, “maturidade”. É preciso encarar a coisa toda com o máximo de maturidade possível. São profissionais muito prontos em uma época de grandes apostas, num momento do país muito interessante. Há de se levar a coisa bem a sério mesmo, há muito em jogo, as apostas hoje em dia são altas. Passamos a era onde artistas pensavam apenas nas suas carreiras, onde ter um emprego ou contrato fixo em jornal era a única coisa que importava. Agora todos são responsáveis pela criação de um mercado, um fanzine pode abrir portas importantíssimas pra todos, um blog. Estamos muito conectados hoje em dia, andamos juntos.

IVT - A internet hoje é o melhor espaço para a divulgação do que há de mais fresco e inovador na nona arte?

RC - Sim, mas existe hoje em dia essa proximidade entre material impresso e online. Ninguém abandonou o impresso, pelo contrário. Ele virou um conteúdo mais complexo e caro, virou livro. E o digital tem um tipo de relação diferente com o leitor, mais rápido e prático, portanto mais fugaz. Mas estamos no começo disso tudo, e a Gordon é uma saída meio óbvia pro momento que estamos passando. Criamos o portal pra abarcar toda uma geração impressionante que já se alto publica e mantém um nível muito alto de produção, que está acostumada em colocar suas criações na net. Faltava algo entre as editoras e os independentes, e estamos tentando criar esse algo que falta. 

IVT - E sobre a Mensur, tua primeira publicação solo prevista pro ano que vem, o que você pode adiantar?

RC - Nada ainda, gostaria de um tempo pra responder isso. Ainda estou no meio do projeto. Pode ser? Sei que já falei disso em outras entrevistas, mas não caiu bem. Pode ser?

Pode ser, Rafa. Aguardamos ansiosos até 2012 :)

+http://raffa-bingo.blogspot.com/

Filed under Rafael Coutinho Gazzara Mensur O Beijo Adolescente Laerte quadrinhos

Comments
blog comments powered by Disqus
  1. revistainventa posted this